Sustentabilidade | Designers, o problema é nosso.

Bloggers Unite - Blog Action Day O designer é uma peça chave em todo modo de produção vigente. O carro, o computador, a revista, o site, as embalagens, os móveis, eletrônicos… Há um designer por trás de praticamente tudo que consumimos.

Sustentabilidade.

Todos os dias nós somos confrontados com os problemas do meio-ambiente. Sustentabilidade nunca foi um tema tão importante no nosso dia a dia. Sabemos com segurança que, se ninguém interferir, as próximas gerações não sobreviverão num mundo devastado pela ganância humana.

O papel do designer.

É o designer que decide quase todas as questões que definem se um produto será ou não reciclável, se usará papel novo, a quantidade de energia que utilizará, os resíduos gerados pela produção, entre tantas outras questões relacionadas ao meio ambiente. Portanto, está nas nossas mãos, mas mãos dos designers, projetarmos uma sociedade sustentável.

Seria ingenuidade afirmar que sozinhos os designers têm poder para mudar o mundo. Há muito mais gente envolvida em cada projeto - alguns, com muito mais poder. Mas a nossa parcela de responsabilidade é enorme.

O papel do consumidor.

É claro que o consumidor também tem um papel fundamental nesta questão. O designer pode projetar um produto que não agride o meio-ambiente, mas este projeto pode ser cortado por seus patrões - para reduzir custos, por exemplo. Aí cabe ao consumidor, a todos nós, fazermos a nossa parte: preferindo marcas ambientalmente conscientes.

Assim, por uma questão de mercado - e não de consciência, porque isso eu não espero muito dos donos dos meios de produção - cada vez mais empresas passarão a desenvolver seus produtos de maneira sustentável.

Uma chance para as próximas gerações.

Então, talvez, com a ajuda dos designers e dos consumidores, bem como da sociedade pressionando políticos e empresas a agirem de maneira consciente, talvez as próximas gerações tenham chances melhores de sobreviver.

Lawrence Lessing: contra a “corrupção”

Conhecido por lutar pela free-culture (creative commons, software livre, entre outras coisas) Lawrence Lessing decidiu recentemente procurar um alvo maior. Conforme disse Jimmy Guterman, Lawrence agora lutará contra a corrupção que gera todo tipo de leis ruins, não somente as leis ruins relacionadas aos “direitos de cópia”.

Aqui no Brasil o buraco é mais embaixo.

Já que 75% da população são analfabetos funcionais, nem faz muito sentido lutarmos pelos direitos de cópia, já que uma parcela considerável da população não tem acesso a coisas muito mais básicas como casa, comida, saúde, educação e trabalho.

Aqui a corrupção está ligada ao dinheiro de maneira muito mais sórdida do que no contexto de Lawrence. Lá os políticos se comprometem a fazer leis que beneficiam quem tem dinheiro em troca de apoio financeiro para a próxima campanha política - do contrário, não terá recursos para se reeleger. Aqui o político recebe dinheiro vivo, em espécie e para fazer o que quiser, em troca de benefícios diretos para os corruptores.

Lá a corrupção gera leis ruins. Aqui gera fome.

Eu sou totalmente simpático à “copyfight”, a luta contra leis abusivas de controle da chamada “propriedade intelectual”. No entanto, acredito que nós no Brasil poderíamos, seguindo o exemplo do Lawrence, e lutar por problemas muito mais sérios.

Lutar pelo software-livre parece ridículo enquanto vemos que nosso povo não é livre sequer para estudar, trabalhar, morar e viver com saúde e dignidade.

Por que a web não afetou o mercado editorial?

Acabei de ler um interessante artigo, de John Crace (do The Guardian), que explica porque a web, que abalou tão gravemente a indústria da música, ainda não afetou o mercado dos livros.

A web ajuda bandas boas a fazerem sucesso.

Crace explica que hoje qualquer banda razoavelmente boa (só isso já reduz muito a quantidade) consegue ser conhecida no mundo todo com uma página no Myspace, disponibilizando suas músicas para serem baixadas gratuitamente. A internet democratizou o acesso à música, tirando poder (um pouco, pelo menos) das grandes gravadoras.

Mas com os livros não é assim.

Já no caso dos livros a coisa tem sido muito diferente. Embora haja boas exceções, como João Paulo Cuencas que era blogueiro e foi convidado para publicar um romance e as Motherns que viraram até seriado de TV, continua sendo muito, muito difícil para um escritor estreante ser publicado.

Segundo John Crace, “Se você quer saber a quem culpar, não precisa olhar para muito além do mercado literário. Editores e vendedores querem somente investir no que é garantido.”

Lulu.com é boa novidade, mas não pegou ainda.

Há boas novidades, como o site lulu.com, onde qualquer pessoa pode “publicar” seu livro com impressão sob demanda. Mas o custo da impressão sob demanda continua sendo alto em relação à impressão de grandes quantidades. Além disso, há toda uma cultura tátil do livro, de pegar na mão, cheirar, ler a orelha e só depois deste namoro vem a compra - nada disso existe na internet.

E o futuro do mercado editorial?

O que acontecerá quando os livros deixarem de ser distribuídos em papel (pela tela flexivel)? O que acontecerá quando o mercado editorial for tão digital quanto é hoje o de música?

Será que provaremos uma verdadeira revolução cultural? Será que, como diz John, esse meio, que costumava ser um trampolim para o radicalismo, pode morrer pelo conservadorismo?

Designers contra o aquecimento global.

Acabei de ver, pelo Daniel Sollero, este site: Design Can Change. Em uma excelente produção, muito cuidadosa tanto no design gráfico quanto na programação - que tanto tem animações, efeitos especiais, quanto mantém o permalink de cada slide e não é pesado, enfim, um belo exemplo - que demonstra os problemas do aquecimento global e o papel do designer neste problema todo.

A lógica é simples: O designer geralmente é responsável por decisões estratégicas que definem o impacto de um projeto na natureza. Ele pode escolher se vai usar papel reciclado ou novo. Ele pode decidir dar mais ênfase a estratégias digitais do que usando papel. Ele pode rodar o material em gráficas locais, evitando a emissão de gases no transporte. Enfim, o designer, ao tomar decisões que podem ou não ser ambientalmente sustentáveis na produção do projeto, tem um papel decisivo no combate ao aquecimento global.

Mesmo na web, que é uma mídia muito menos poluidora que as que dependem do papel, há iniciativas sustentaveis muito interessantes como a do Google ao utilizar energia solar e do yahoo com sites como Be a Better Planet, Yahoo Green, e sua nova competição para encontrar a cidade mais “verde” (ou seja, sustentável).

Na minha opinião, é uma tremenda burrice correr atrás de mais dinheiro para si mesmo, deixando de lado o bem maior para a sociedade e para o meio ambiente. Cada um de nós deve tomar sobre sí sua própria responsabilidade.