Kindle | A biblioteca de bolso finalmente chegou!
O iPhone é um aparelho muito interessante. Mas não me faz falta. O mais legal de ter um iPhone é que ele é legal, ele dá status, ele transforma você em uma pessoa do grupo dos que têm (ou dos que podem ter) um iPhone. Mas na prática, principalmente para pessoas como eu que tenho menos de 10 contatos na agenda do celular e uso muito pouco para falar sempre com as mesmas pessoas, ele não é grandes coisas.
O Kindle é genial.

Mas o Kindle, o aparelho de leitura de livros que a Amazon lançou é realmente uma revolução. Não, não é uma evolução, é uma revolução mesmo. Uma alteração brusca e significativa na maneira das pessoas se relacionarem com sua leitura.
Acontece que ler no computador sempre foi e continua sendo uma experiência sofrível - apesar de todos os esforços da comunidade de design e dos novos monitores. Mesmo com o laptop, que comparado ao livro é e sempre será um trambolho (porque nós queremos trabalhar em telas grandes), a falta de mobilidade do meio digital ainda é um tremendo desconforto.
Eu gosto de ler na rua, às vezes andando, no ônibus/avião/carro… Não há nada mais gostoso do que ler um bom livro deitado numa rede numa tarde de domingo, vendo a luz de uma fina garoa caindo. Isso, até o kindle (e outros dispositivos similares, como o Sony Reader), só era possível com um livro.
Mas vai substituir o livro?
Eu sou um cara que anda contra a tendência da confluência dos dispositivos. Não gostaria de ter um celular - camerafotografica - mp3player - videoplayer - cameradevideo - radio - gravador - videogame, tudo em um. Prefiro ter cada dispositivo especializado em sua área. Não se pode comparar uma câmera fotográfica profissional a uma de celular. Por isso também, gostei do kindle.
O kindle é um importante passo no sentido de substituir o livro, mas está longe de ser o aparelho definitivo. Há diferenças muito claras de formato entre um livro ilustrado infantil e um romance ou uma enciclopédia. O kindle ainda não suporta a diversidade de formatos de conteúdo que o livro suporta. Além disso, enquanto não podermos interagir com o conteúdo, como podemos fazer rabiscando um livro, esses aparelhos serão meros quebra-galhos.
Wireless grátis e o mundo nas suas mãos.
O mais legal do kindle é a maneira que os dados são transferidos. Nada de itunes. Nada de windows / mac. Nada de computador. É mais uma prova de que uma das regras da web 2.0 é realmente importante: software acima de um único dispositivo. No kindle, a Amazon paga uma conexão como a de um celular para o usuário comprar livros e baixar blogs e a wikipédia. Por mim, se fosse só um aparelho para ler a wikipédia já valeria.
Vídeo de apresentação.
Caem no mesmo erro do iPhone.
Imagino que numa sociedade diferente da nossa - e principalmente, da estadunidense - esse seria um dispositivo fundamental para a democratização da informação de maneira sustentável. O papel não deixaria de existir, mas seu uso seria drasticamente reduzido.
No entanto, o Kindle foi feito por uma empresa cujo objetivo é lucrar e por isso, assim como o iPhone, é uma plataforma fechada para garantir o controle da empresa sobre o aparelho e a maneira como ele media a relação entre o usuário e o conteúdo. Como disse Joe Esposito, “Negócios não são feitos para tornar as pessoas felizes. Negócios são feitos para tornar o capital feliz. É por isso que a Apple tem um formato proprietário para o iPod e é por isso que a Amazon está tentando trancar os usuários no seu ecosistema”.
A abordagem da amazon em relação ao Kindle é tão fechada que eles não estão seguindo os padrões da indústria para e-books, em vez disso, usam seu próprio formato proprietário.
Poderia ser muito útil para a formação cultural do povo.
Um aparelho como este com uma tecnologia aberta, com a rede wireless sendo provida pelo Estado e uma biblioteca gigantesca e gratuita seria uma verdadeira revolução na educação de qualquer país, principalmente no Brasil, onde se lê tão pouco. Não é preciso ser comunista para pensar assim: isso seria uma incrivelmente benéfico também para o mercado, pois o acesso livre à cultura, além de ser um direito do cidadão, elevaria a qualificação dos profissionais.
Mas de qualquer maneira a inovação tecnológica é sempre muito interessante e essa em especial é muito bem vinda!


