Criando Dilbert - aproveitando a inteligência coletiva
Por Gilberto Jr, dia 20/06/07.O processo de criação do Scott Adams é um bom exemplo do que chamamos de aproveitando a inteligência coletiva, quando falamos de Web 2.0.
Antes de começar uma tirinha nova ele dá uma boa lida em um documento do word onde ele guarda um monte de sugestões feitas por leitores.
Ou seja, as idéias para as tirinhas vêm dos próprios leitores das tirinhas - sem deixar de lado o talento do Scott Adams, é claro. É muito provável que as sugestões venham por e-mail, o que justifica eu tratar desse assunto como “web” :)
Mas falando sério, de repente o Scott poderia fazer um sistema para facilitar os usuários a enviarem, classificarem (por assunto, personagem, etc) e avaliarem as próprias sugestões através de votos. Assim ele aproveitaria mais ainda a inteligência coletiva.
O que acham?
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20/06/07 às 23:49
Não gosto desse termo “inteligência coletiva”. Pra mim, é como falar de “água molhada”. Toda inteligência é coletiva. O homem nasce sem saber nada e através de sua interação com o coletivo é que ele aprende. Sendo assim, sua inteligência é sempre desenvolvida e exercitada na coletividade.
Quando o Scott Adams bola uma nova tira, esteja ele usando uma prancheta solitária, o documento Word com as sugestões ou um sistema moderado pelos leitores, ele estará sendo influenciado pelo histórico de interações com seu público no passado e pelas interações futuras vislumbradas.
Um sistema como você sugere seria interessante, não para “aproveitar a inteligência coletiva” como se fosse uma mina de ouro, mas sim para intensificar a interação das pessoas com o Scott. Mesmo antes de receber as sugestões por email, ele já era um mediador de uma classe de profissionais, discutindo temas relativos ao cotidiano do trabalho. Num sistema como esse, esse papel ficaria mais claro, só não sei se o Scott teria jogo de cintura para lidar com tanta gente, com idéias tão diversificadas.
21/06/07 às 0:17
Fred,
Entendo que toda inteligência é coletiva, pois o homem não cria nada ex nihilo. Eu acho que você, que está pesquisando justamente co-criação, conhece bem mais profundamente o assunto que eu.
No entanto, quando falamos aqui de “inteligência coletiva”, é mais um jargão técnico para nos referirmos aos efeitos de ações de uma rede de usuários em um sistema, mudando-o. Como acontece no digg, no filtro de spam do gmail, no “quem compra isso compra também aquilo” da Amazon, etc.
É um jargão sobre o aproveitamento da participação direta dos consumidores para melhorar o conteúdo, o software, etc… Como diz o Bakhtin, em tudo que produzimos há sempre o diálogo, por isso nada seria realmente individual, não-coletivo. Mas a gente tem que chamar esse aproveitamento da participação dos usuários de algum nome, e seguindo o Tim O’Reilly eu prefiro chamar de aproveitamento da inteligência coletiva.
Obrigado pelo comentário.
22/06/07 às 16:48
Acho sinceramente, Gilberto, que nem tudo se encaixa assim na Web 2.0. Fazer um sistema estilo Digg pra contribuir nas tirinhas do cara, ia tirar a graça de vê-las prontas… toda tira nova já seria velha, porque passou por todo um processo de aceitação do público.
Já pra uma outra proposta, como a produção pessoal de quadrinhos, seria uma boa: um banco de dados, com vários personagens e cenários, em que qualquer um pode montar seu próprio quadrinho e botar pra votação. Isso até faria sucesso!