Parede pra quê ?
Estou planejando (para um futuro mais ou menos distante) uma casa nova. Quero comprar um terreno grande e fazer uma casa sem paredes - exceto para os quartos, banheiros e um escritório.
Quero uma casa onde se possa andar sem esbarrar em mesas de centro, abrir portas o tempo todo, ir de um lugar a outro para conversar… Quero estar na sala e conversar com minha esposa enquanto ela cozinha (machista né :), quero ver meus filhos brincando e que todos possam ver uns aos outros e conversar a qualquer hora, em qualquer lugar da casa.
Este jeito de pensar sobre minha futura (e hoje imaginária) casa veio do jeito que pensamos aqui na desta.ca sobre desenvolvimento. Há muitas paredes no desenvolvimento de software: entre programadores e designers, entre o suporte e o atendimento, entre desenvolvedores e clientes, entre planejamento e produção. Quando paredes são derrubadas há mais integração: como designer, sempre adorei ouvir os palpites do programador, do suporte, da faxineira, de todo mundo, não só do chefe e do cliente.
Às vezes é bom ter paredes, para ter privacidade. Eu já trabalhei ao lado do suporte, e o barulho era insuportável. Mas sempre que eu precisava de alguma informação que só eles tinham, não precisava me deslocar, enviar e-mail, etc, era só olhar para o lado e perguntar.
Menos é mais, e vice versa: mais privacidade é menos comunicação, mais isolamento (tranqüilidade?) é menos transparência. Muitas reuniões poderiam ser evitadas se todos os funcionários pudessem se comunicar rapidamente.
Mas há também paredes conceituais. Entre a geração dos estagiários e novos funcionários, que cresceram com internet em casa e a geração dos chefes mais velhos, mais experientes e com outros paradigmas. Há paredes entre o nosso jeito de ver as coisas e o jeito dos outros, entre nós que temos conhecimento sobre nosso serviço e o cliente que às vezes mal sabe usar um computador…
Há paredes também entre uns clientes e outros de uma mesma empresa. Isso nem sempre é o melhor. No caso do dialogus por exemplo, nós encorajamos os usuários a se conhecerem através do nosso suporte, que é aberto. Isso nos expõe a riscos, mas os benefícios são muito maiores: a troca de experiências na comunidade, os diálogos, a transparência, as sugestões, o calor humano, etc..
Quero uma casa sem paredes. Quem sabe um dia.



26/02/07 às 15:11
Deixa eu usar essa caixinha branca bonita para desabafar.
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Casas sem paredes se chamam Lofts. Eu quando era mais nova, sonhava em morar em um. Só que eles nasceram em grandes galpões de fábricas em partes que já não são mais industriais de cidades bem antigas. Aqui em SP, isso quase não existe, e onde há lofts, falta um meio milhão para comprar. Por isso eu vou para uma mini-caixa-de-sapato com paredes para todo o lado.
Quanto à empresas sem paredes, eu praguejo semanalmente com o fato da criação conversar demais e por conta disso eu programar de menos. O importante não é segui a receita de não ter paredes, criada em 85 acho, pelo dono da Day e copiada em 86 na W/Brasil. O importante é estimular que todo o tempo da equipe gasto junto seja valoroso. Geralmente as pessoas só se juntam para tomar café, matar tempo e reclamar do chefe. Se incentiva-las a contarem como andam seus projetos, no que elas precisam de ajuda e quais idéias brilhantes elas tiveram.
Onde eu trabalho hoje, antes havia uma reunião semanal entre a programação, que acabou pura e simplesmente porque, entre outras coisas, era a hora da semana que eu observava o teto e pensava em lixar as unhas da mão. Porque as reuniões não tinham um objetivo fixo e nesse quadro mais cabeças se dispersam mais rápido que uma.
Em compensação, numa produtora onde trabalhei 2 anos atrás, reuniões parecidas resultaram em um curso de CSS \ Tableless, ministrado pelos funcionários para outros funcionários, que acabou mudando o modo como nossos sites eram feitos e melhorando a qualidade final.
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Fim do desabafo :)